Quebrei 3 HDs_ Entendendo Armazenamento.mp3
Relato técnico e lições sobre falhas mecânicas, diagnóstico, recuperação de dados e desenho de armazenamento robusto.
1) Fundamentos: o que é armazenamento HDD?
Discos rígidos mecânicos armazenam dados em platters magnéticos que giram a alta velocidade, com cabeças de leitura/gravação movidas por um atuador. A confiabilidade depende de desgaste físico, vibração, temperatura e qualidade das operações de leitura/escrita.
Conceitos-chave incluem setores, trilhas, cilindros e clusters, além de atributos SMART que ajudam a inferir a saúde do disco. Mesmo com ECC e redundância interna, falhas físicas podem impedir a leitura de dados;
Em workloads continuados, a taxa de falha aumenta com o tempo. Por isso, projetar com redundância e monitoramento é essencial para evitar perdas.
2) O que significa “quebrei 3 HDs”? Cenário e sinais
Neste relato, eu testemunhei falhas em três HDs por causas distintas: desgaste natural, impacto mecânico e falha de controle. Cada disco apresentou sintomas similares de forma progressiva: lentidão extrema, leitura de setores não disponíveis e, por fim, indisponibilidade do volume.
Sinais observados: variações súbitas em atributos SMART como Reallocated_Sector_Ct, Current_Pending_Sector e Seek_Error_Rate; ruídos mecânicos (clics, rangidos); quedas de desempenho durante operações de I/O.
Impacto: parte dos dados já estava fora de backup recente, exigindo decisões rápidas sobre recuperação parcial versus reconstrução de volumes com base em prioridades de negócio.
3) Diagnóstico e recuperação: metodologia prática
Minha abordagem foi preservar o que restava, minimizar danos adicionais e extrair dados com segurança. A regra: não escreva no disco com defeito até ter uma imagem estável e confiável para recuperação.
Ferramentas e passos usados:
- Verificar SMART e logs do sistema para entender o tipo de falha;
- Criar uma imagem de recuperação da área com maior chance de legibilidade;
- Validar a integridade dos dados recuperados, priorizando os itens críticos.
Observação: cada caso é único. Em cenários com danos mecânicos visíveis, pode ser necessário recorrer a serviços especializados com bancada limpa para recuperação física dos dados.
#!/bin/bash
# Monitor SMART básico para alertar sobre falhas potenciais
DISKS=$(lsblk -dno NAME)
THRESHOLD=5
for d in $DISKS; do
smartctl -H /dev/$d >/dev/null 2>&1
if [ $? -ne 0 ]; then
echo "[$(date)] smartctl não disponível em /dev/$d" >&2
continue
fi
TEMPER=$(smartctl -A /dev/$d | awk '/Temperature_Celsius/{print $10}' | head -n1)
CRIT=$(smartctl -A /dev/$d | awk '/Current_Pending_Sector|Reallocated_Sector_Ct/{print $10}' | tr '\n' ' ')
# Exemplo simples de verificação
if [ -n "$CRIT" ] && [ "$CRIT" -ge "$THRESHOLD" ]; then
echo "ALERTA: disco /dev/$d com setores críticos: $CRIT; temperatura: ${TEMPER}C"
fi
done
4) Prevenção, arquitetura e boas práticas
Planejamento de armazenamento: adote redundância adequada (RAID 1/5/6/10, ZFS com checagem de integridade) e backups 3-2-1 para reduzir a janela de indisponibilidade.
Monitoramento contínuo: métricas de uso, temperatura, vibração e atributos SMART devem acionar alertas. Automatize snapshots, verificação de consistência e notificações para a equipe.
Hardware e ambiente: escolha discos pensados para o workload, garanta refrigeração estável, controle de vibração e alimentação confiável. Considere usar hot spares e rotação de cargas para balancear desgaste.
Processos de recuperação: tenha um playbook com contatos, prazos e critérios de sucesso. Esta prática reduz o tempo de inatividade e aumenta as chances de recuperação total ou parcial conforme o cenário.
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