Como fazer o Ingresso.com escalar: Conceitos Intermediários de Web.mp3
Estruturando uma plataforma de tickets para picos de tráfego com foco técnico, prático e direto ao ponto.
1) Arquitetura escalável e serviços sem estado
Para escalar, eu parto de uma arquitetura que separa responsabilidades. Eu trabalho com componentes stateless acessíveis via API e com um gateway para consolidar políticas. Minha prática envolve:
- Gateway de API como ponto único de checagem de autenticação, rate limiting e versionamento.
- Serviços stateless que permitem scaling horizontal com facilidade, evitando dependências de sessão no servidor.
- Particionamento lógico por domínio (Ingressos, Pagamentos, Notificações) para reduzir acoplamento entre serviços e facilitar o crescimento da equipe.
Observação prática: mantenho o estado de sessão apenas no cliente e utilizo tokens com TTL curto quando necessário, para reduzir overhead em requests de alto volume.
2) Cache em camadas e CDN para picos de tráfego
A estratégia de cache é fundamental para reduzir latência e aliviar o back-end em eventos de pico, como abertura de venda de ingressos:
- CDN na borda para conteúdo estático (assets) e respostas idempotentes com TTL adequado.
- Cache de dados de disponibilidade de ingressos com invalidation suave, via eventos ou mensagens para refletir mudanças de estoque rapidamente.
- Cache por usuário com particionamento para reduzir cold starts e melhorar a experiência de compra com contagem regressiva.
Gatilho recomendado: use TTLs curtos para slots de venda, combinados com invalidação imediata quando o estoque muda.
3) Processamento assíncrono de pedidos e consistência eventual
Eu isolo a criação de pedidos do processamento de pagamentos e emissão de comandos para infraestrutura de envio de confirmações. Linhas-chave:
- Fila de mensagens para ordenação, com particionamento adequado e backpressure.
- Idempotência: uso de keys únicas por pedido para evitar duplicação de transações em falhas de rede.
- Eventos de domínio para sincronizar estado entre serviços (pedido criado, pagamento confirmado, ingresso reservado).
Benefício: o desacoplamento traz resiliência e permite scale independente de cada serviço.
// Exemplo simples de idempotência com Redis (ilustrativo)
POST /orders
Input: { "idempotency_key": "uniq-key-123", "user_id": 42, "item_id": "A1", "qty": 1 }
1) Checa Redis se a key existe:
IF EXISTS(idempotency_key):
return 409 - já processado
2) Prossegue com criação de pedido
3) Salva resultado em cache sob idempotency_key por x minutos
4) Retorna sucesso (pedido criado)
4) Observabilidade, performance e confiabilidade operacional
Sem visibilidade, não há confiabilidade. A minha base de prática envolve acompanhar SLOs, SLIs e budgets de erro:
- Traces distribuídos para entender latency paths entre API Gateway, serviços de ticketing e processamento de pagamento.
- Métricas de throughput, p95, p99 e tempo de resposta por endpoint, com alertas para anomalias.
- Health checks prudentes, canary releases e blue/green deployments para reduzir downtime durante escala.
Ferramentas recomendadas: logs estruturados, dashboards de disponibilidade e rotas de fallback para páginas de erro amigáveis durante picos.
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