Design de Software: ver vs enxergar
Reflexões técnicas sobre a concepção de sistemas complexos, com foco em clareza, alinhamento de visão e a distância entre o que vemos na superfície e o que o domínio realmente exige.
1) Ver vs Enxergar: o dilema da compreensão superficial
Durante o ciclo de desenvolvimento, é comum produzir artefatos que parecem representar o sistema, mas nem sempre capturam as reais necessidades do domínio. “O que é visível” nem sempre é suficiente para orientar decisões de design. O desafio é ir além do retrato estático e construir uma compreensão que resista a mudanças de requisitos e contexto.
Prática associada: identificar atores, processos e regras críticas, questionando pressupostos com validações frequentes entre equipes de negócio e engenharia.
2) Abstração: escolhendo o nível de detalhe correto
Abstração é o ato de filtrar informações irrelevantes para manter o foco nas decisões de alto impacto. O equilíbrio entre detalhes suficientes e ruído é crucial: detalhes demais escondem padrões, de menos geram retrabalho. Defina pontos de quebra claros para evoluir conceitos conforme o sistema amadurece.
Estratégia prática: usar contratos de serviço bem definidos, limites de contexto bem delimitados e padrões de evolução que permitam crescimento sem desalinhar o que é acordado entre as partes.
3) Interfaces, contratos e fronteiras: a linha que une equipes
A integração entre componentes depende de fronteiras bem estabelecidas. Interfaces claras reduzem ambiguidades e alinham expectativas entre equipes. Revise contratos com foco em entradas, saídas, garantias de desempenho e estratégias de evolução compatíveis com o ritmo de negócio.
Boas práticas: versionamento explícito, documentação suficiente, testes de aceitação que reflitam o comportamento esperado no domínio, e revisões de arquitetura que mantenham as decisões transparentes.
4) Práticas para alinhar visão: iteração, documentação enxuta e ADRs
Alinhar visão entre stakeholders exige ciclos curtos de feedback e documentação orientada a decisões. Registre escolhas arquiteturais relevantes de forma concisa, com o racional e as consequências esperadas. ADRs (Architecture Decision Records) ajudam a manter o histórico de decisões acessível a toda a equipe.
Exemplos de ações: sessões de revisão, demonstrações de progresso frequentes e acordos explícitos sobre critérios de conclusão para cada etapa do ciclo de desenvolvimento.
// Exemplo de contrato de serviço (pseudo-API) em TypeScript
interface OrderService {
createOrder(input: CreateOrderRequest): Promise;
getOrder(id: string): Promise;
cancelOrder(id: string, reason?: string): Promise;
}
type CreateOrderRequest = {
customerId: string;
items: Array<{ productId: string; quantity: number }>;
paymentMethod: 'credit_card' | 'boleto' | 'pix';
};
type CreateOrderResponse = {
orderId: string;
status: 'created' | 'failed';
total: number;
};
type OrderDetails = {
orderId: string;
status: string;
items: Array<{ productId: string; quantity: number; price: number }>;
createdAt: string;
updatedAt?: string;
};
type CancelResult = {
success: boolean;
message?: string;
};
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